'' Município de Mairinque - SP ''

Em meados do
século 17, no local onde se ergueu a cidade de São Roque e
posteriormente a cidade de Mairinque, Pero Vaz de Barros e Padre
Guilherme Pompeu, possuíam grande extensão de terras habitadas por
índios. A pouca distancia de São Roque havia um sítio denominado
“Sítio das Marmeleiras”. Na gleba denominada Alumínio, ergueu-se uma
fábrica de cimento. Em volta da pequena e rude estação de trem erguida
por Metheus Maylasky, em 1875, é que se formou o núcleo do que viria
ser a cidade de Mairinque, que naquela época era habitada por
operários da estrada de ferro e agricultores. Juntamente com a estação,
Matheus Maylasky construiu uma pequena oficina de reparos de trens,
coberta de zinco, e que só funcionava em casos de emergência.
O Conselheiro Francisco de Paula
Mayrink, quando já presidia a Companhia Sorocabana, vistoriando toda a
rota da estrada de ferro, pressentiu que aquele seria o lugar ideal
para funcionar como centro de ligação entre o mar, o “hinterland”
(interior do país) e o oeste do Estado de São Paulo. Tudo isso bem
perto da capital paulista, de Santos e de Itú.
Já existiam ali, uma parada de trens, um
pátio e uma oficina, tudo muito rudimentar. A topografia do lugar e a
posição geográfica da estação, exigiam melhorias. Dessa forma, o
Cons. Francisco de P. Mayrink tomou providências e alargou o pátio. Os
operários -muitos deles residentes em São Roque-, os agricultores, e
os índios dispersados pela região, moravam em locais simples, sem
higiene e conforto.
O Conselheiro construiu então uma vila no povoado,
iniciando a construção de 100 pequenas casas iguais, inaugurando o
conjunto em 27 DE OUTUBRO DE 1890.
A vila possuía também: duas biroscas (estabelecimentos
comerciais modestos), botica (farmácia) e uma pequena escola (a
primeira em toda a região). Criada ali para atender aos filhos dos
trabalhadores da estrada de ferro.
Era uma vila bem arrumada, erguida numa clareira da
mata situada em uma velha fazenda de nome Canguera, palavra que em
língua Tupi, significa “ossada”, razão pela qual se achava que ali
existisse algum cemitério indígena. A fazenda Canguera teve vários
donos, e entre eles, Manuel da Costa Nunes, o “Manduzinho”, antigo
capataz, que escravizava índios e funcionava como uma espécie de
“Xerife” do local. Um dos últimos donos da fazenda foi Antônio da
Silva Eugênio Bey, que viveu ali até 1880, ano em que o Conselheiro
atingiu a direção suprema da Sorocabana. O local da primeiro vila
acabou ficando conhecido como “manduzinho”, o apelido de seu
proprietário. Mas como as cem primeiras casas rapidamente tornaram-se
insuficientes para o abrigo de tantos interessados em para cá virem,
Francisco de Paula Mayrink projetou outros núcleos habitacionais.
Comprou mais 264 alqueires de terra e tratou de ampliar a vila. Na
área da ferrovia, o Conselheiro realizou a ligação de Canguera para o
mar e a incorporação da estrada de ferro Ituana. Como a vila fundada
em 1890 era de caráter residencial, a placa da estação continuou
estampando o nome de “Canguera”. Em fins de 1891 substituíram-na por
“Manduzinho”, mas em 1892 já vigorava o nome de “Mayrink ” em clara
homenagem ao Conselheiro. Todavia, em 1897 foi reposto o nome de
“Manduzinho”, porém no ano de 1900, volta em caráter definitivo o nome
do Conselheiro para a vila. Dizem inclusive que houve no ato da volta
da placa do fundador da vila, grandes festejos. (foto Mvc. 008s)
O CONTÍNUO DESENVOLVIMENTO DA VILA MAYRINK
Em 1904 elevou-se à categoria de Distrito Judicial. Em
1909 passou a Distrito de Paz, subordinada à São Roque. Com o rápido
desenvolvimento da via férrea, novos operários eram admitidos em
grande número. Vinham de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo,
tornando-se necessário resolver o problema de habitação. Nessa ocasião
construíram-se alguns alojamentos mais confortáveis para as famílias
dos empregados da Estrada, pois era a maioria dentro do aumento da
população. Construíram-se também um hotel, novas lojas e três
quarteirões de casas, que constituem hoje, a zona central da cidade.
Começaram simultaneamente outros
melhoramentos: farmácias, escolas reunidas, posto policial, açougue etc.
Em conseqüência da construção dessas residências, do reservatório de
água e esgoto, a Vila Mayrink mudou seu aspecto. Suas ruas ficaram
mais bonitas, mais iluminadas (com gás acetileno que provinha de um
gasômetro construído atrás do edifício sede da estrada de ferro) e com
uma respeitável população urbana. Diziam que até 1958 alguns dos
canos que conduziam o gás ainda estavam enterrados debaixo do
calçamento.


NOSSA PARÓQUIA DE SÃO JOSÉ - MATRIZ DA CIDADE


Nenhum comentário:
Postar um comentário